Homilia – 1º Domingo da Quaresma – A
1. O tempo quaresmal possui uma finalidade específica: preparar-nos para celebrar a Páscoa. Isso se dá através de dois caminhos: a consciência batismal e penitencial deste tempo litúrgico.
2. O ano litúrgico A é o mais apropriado para a percepção destes aspectos batismais e penitencias através da organização dos textos do evangelho.
1º Dom | Tentações | Confronto humano e a graça divina |
2º Dom | Transfiguração | Antecipação Pascal |
3º Dom | A Samaritana | Água batismal que gera vida. |
4º Dom | Cura do Cego de Nascença | Páscoa nos faz enxergar uma nova realidade. |
5º Dom | Ressurreição de Lázaro | Da amizade construída com aquela família de irmãos até a plenitude da vida. |
3. Oração Coleta: “através dos exercícios anuais do sacramento da quaresma, concedei-nos progredir no conhecimento do mistério de Cristo e corresponder-lhe por uma vida santa”.
a. Sacramento da Quaresma: que sinais visíveis e santificantes a quaresma aponta a nós?
b. Progressão no Mistério de Cristo: clareza que meu destino é celebrar o Mistério Pascal. Não há outra finalidade se não essa. O que percebo da vida de Cristo, na minha vida?
c. Vida Santa: vocação de todo cristão, com os exercícios quaresmais que aprimoram esse modo de vida.
4. Evangelho: uma reflexão sobre as tentações.
a. A tentação de transformar pedra em pão: TENTAÇÃO DO MILAGRE. Quero uma religião só de milagres, assim consigo manipular à Deus com promessas, pedidos e quero tornar tudo mais fácil.
b. A tentação de usar a religião para aparecer (Saltar do Pináculo do templo): a religião não se vive em palcos, mas no chão da vida, no serviço que se faz pelo outro. Os palcos podem ajudar a despertar, mas a continuidade é feita na paróquia, no dia a dia.
c. A tentação pelo poder: dominar as pessoas, destruir o outro.
Três palavras: Conversão, Tentação e Fidelidade.
1. A Conversão: significa adotar a mentalidade de Deus. É um convite feito, é um chamado.
· As atitudes penitenciais e as renúncias atingem sua finalidade quando geram conversão, ou seja, mudanças comportamentais.
· A conversão é uma proposta contínua.
2. A Tentação: nos afastam do modo de pensar e agir como Deus.
· Ela acompanha a história humana deste o princípio (Primeira Leitura).
· Quer nos colocar sempre no centro, no lugar de Deus.
· Ela nasce do desejo de controlar e aparecer.
· Resultado de um conflito interior, não apenas de elementos exteriores.
3. A Fidelidade: é o meio pelo qual podemos vencer as tentações.
· O exemplo de superação das tentações vem de Jesus, que nos ensina o caminho de fidelidade à Deus.
· Jesus vence a tentação pela Fidelidade ao projeto de Deus. O demônio apresenta à Jesus, o projeto do mundo, que rejeita a religião, é interesseira, mágica e exibicionista.
· A fidelidade não elimina a tentação, a faz vencer. Nos sustenta e nos fortalece nesta luta. Lembremo-nos da oração coleta da Quarta-Feira de Cinzas: preparados para o combate espiritual.
· Cultivamos um coração fiel e fortalecido pela presença do Espírito Santo e pela Palavra.
· As promessas das tentações são passageiras, a de Jesus são eternas.
· Deus nos livre de achar que pelo fato de estarmos na igreja, somente o outro precisa de conversão. Que o Senhor, nos dê diariamente o dom da Fidelidade.
Rezemos: Senhor, no início desta Quaresma, desejo voltar-me inteiramente para Vós, com sinceridade e verdade. Purificai as minhas intenções e transformai o meu modo de pensar, para que minhas escolhas reflitam o Evangelho. Livrai-me do orgulho que tenta ocupar o vosso lugar e do egoísmo que destrói a fraternidade. Dai-me força para resistir às tentações de controlar, de dominar e de querer aparecer como religioso. Guiai-me pela fidelidade à vossa Palavra, para que meu coração permaneça fiel. Concedei-me um espírito decidido, capaz de vencer o mal e não cair em tentação. Amém.
Uma referência para preparar esta homilia está no site www.liturgia.pro.br do Serginho Valle.
