Segundo domingo da Quaresma – A
Pe. Kleber Rodrigues da Silva
1. O itinerário quaresmal avança com os “lugares catequéticos”, que comunicam uma mensagem e ajudam-nos a acolher a proposta divina. Por isso, do deserto onde se toma consciência das tentações e encontram-se os remédios (jejum, oração e caridade), nos deslocamos hoje para a Montanha Sagrada onde se comunica que “vencendo a paixão, chegará a glória da Ressurreição”.
2. O uso destes lugares/imagens é significativo na linguagem bíblica, pelo seu processo pedagógico de identificar-se com os ouvintes. Recordemos as imagens do Pastor, da figueira, do poço, da colheita.
3. O segundo domingo da quaresma, tem um viés vocacional: compreender o chamado que o Senhor nos faz para subir a montanha e entender na transfiguração a vocação plena do ser humano: a vida eterna. A superação da paixão, e o lugar da ressurreição.
4. Na primeira e na segunda leitura este aspecto vocacional se evidencia com o chamado a “Abrão”. Deixar tudo para ir ao desconhecido, confiando na Palavra.
5. Todos nós temos nossas seguranças, nossos lugares que nos protegem, no entanto, deparamo-nos com situações em que o “Senhor nos pede algo”. Aqui está um exercício pleno da confiança em Deus, decorrente do nível de maturidade deste relacionamento.
6. Pensemos o tempo quaresmal como um espaço para desenvolver nossa maturidade de fé. Crescer, confiar, abandonar-se. São verbos provocativos que o Senhor nos convida a acolher. Crescer na vocação cristã.
7. Sentir-se chamado diariamente à santidade. Não nos esqueçamos desta vocação. Nós celebramos uma obra da salvação em Jesus Cristo. Entender o que Ele fez, para quem Ele fez e por que Ele fez.
Evangelho:
a. A escolha dos discípulos: Pedro, Tiago e João. Não são privilegiados, mas são aqueles que precisam compreender por que foram chamados como discípulos, como líder da comunidade no caso de Pedro e como devem acolher o Reino de Deus.
b. O lugar: A montanha. Lugar do encontro e das manifestações de Deus desde o antigo testamento com suas teofanias. Do monte Tabor, ao monte das oliveiras, até chegar ao lugar mais alto de Jerusalém. A narrativa de hoje precisa ser vista no horizonte. Por que subir à montanha?
c. A Transfiguração, como expressão de uma mudança. No grego, expressa-se pela metamorfose. A catequese dada pelo acontecimento no corpo de Jesus e pela presença das figuras do Antigo Testamento, demonstram o caminho que os discípulos precisam ainda fazer: junção do antigo e do novo testamento.
d. O pedido de escuta: repete-se a partir do batismo de Jesus. A escuta de Jesus faz parte do discipulado. O silêncio e a Palavra fazem sua junção.
e. O toque de Jesus: Levantai-vos, e não tenhais medo: a transfiguração não é um espetáculo dado por Jesus. A quaresma não é um tempo do faz de conta, de esforços vãos. Mas é um tempo em que Jesus se aproxima e toca em nós e nos diz: levantai-vos, não tenhais medo!.
f. Não tenhamos medo de enfrentar nossos limites em vista da conversão. Não tenhamos medo de responder a nossa vocação batismal e discipular, não tenhamos medo das desacomodações que a conversão pode trazer à nossa vida.
